Um dia acordei e pensei: como estou escrevendo minha história? Será que daria um bom roteiro ou a cortina abriria com dois ou três gatos pingados?
Com 30 anos passados talvez esteja com 50% da atuação concluída. Corta! Decidi que não quero uma história narrada em terceira pessoa. Resolvi ser o protagonista da minha vida, dos meus atos.
Mas por onde começar? Pensei.
Passei noites desatando nós feitos há anos. Alguns só amoleceram quando as lágrimas os encharcaram. Mais aí percebi que a corda era grande e que ela poderia me ajudar a descer ou subir, daí foi um pulo!
Agradeci tudo que tinha e me desfiz sem dó. Percebi que o que realmente me interessava cabia em uma mala de 20 quilos.
Quando fui escolher o lugar onde seria feliz, notei que ele não existia em mapas, tão pouco em guias. Tive que seguir meu coração. No final, fiquei na dúvida entre me levar ou me carregar, me trouxe! Desconfiava quando diziam que nos levávamos onde fossemos, pois é... aqui estou: comigo. Sem nada do que estava acostumado, provando temperos, sabores, ventos, mapas, línguas, corpos e tendo a mim como meu antagonista.
Nesse novo roteiro, não vou deixar minha vida acontecer sem mim. Até fundei um Clube. E estou escrevendo com a minha mão marcada por quatro pontos embaixo do minguinho. Por sugestão de um amigo deixei a borracha de lado: “somente os originais”.
Se estou feliz?
Psiu!
A cortina vai se abrir: segundo ato!
Diretor de Redação ¬ Paulo Rogério de Souza
Jornalista MTB 13360
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Dublin, Irlanda